Caros,
Ano de gelo aqui no blog, hoje quebro esse gelo, é um dia bastante especial.
Logo mais as 16:30 de hoje (18/12/2009), devo receber meu diploma de Engenheiro de Computação. Me sinto muito orgulhoso e já inicio outro ciclo, como fui aprovado para o mestrado no dep. de Engenharia Elétrica da UFRN, mais um desafio. Gostaria de compartilhar alguns pensamentos sobre como cheguei até aqui.
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Desde cedo sempre fui aficionado por ciência e como tal, toda feira de ciências do colégio eu estava no mesmo canto: Laboratório de física e química. Aos 12 anos já era viciado em computadores. Vi a computação gerar a nova revolução no refinamento técnico-científico. Entretanto, em algum momento da minha adolescência também tive dúvidas se era aquilo mesmo que eu gostaria de fazer pelo resto da vida ou o que eu imaginava ser uma escolha sem volta.
Infelizmente a não invertibilidade na curvatura espaço/tempo faz com que você não consiga conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Quando em 2005, escolhi fazer faculdade a minha escolha natural teria sido Design Gráfico ou publicidade, naquele momento eu trabalhava fazendo aquilo e era divertido. Entretanto, havia algo essencial em mim e que aquela profissão não preenchia. Apesar de arte, da necessidade de inovação constante e uso de tecnologia, aquilo permitia apenas que eu me comunicasse com o mundo ou divulgasse algo, mas parava ai, porém o que era essencial para mim era que eu sempre gostei de pensar em mim como uma espécie de “faz tudo”, que eu poderia construir qualquer coisa que eu tivesse vontade e que com apenas uma alavanca eu poderia mover o mundo, como Arquimedes ensinou, bem prepotente mesmo né ?
Naturalmente, eu tinha de escolher um curso que me formasse para ser projetista de coisas ou simplesmente ser como todos os grandes cientista de programas de TV da década de 90 que pareciam saber tudo sobre todas as coisas (Ex: Beekman). E tomei a decisão certa ao escolher o curso de Engenharia de Computação, hoje eu sei disso, aquela época não. Precisei acreditar em mim mesmo e no que eu achava ser minha essência e escolher, bom e segundo um certo professor de controle que tive durante a faculdade, projetar é arte de escolher, portanto fui um bom projetista de mim mesmo.
Então naquela época eu precisei acreditar que, de alguma forma, esses pontos iriam se conectar no futuro. Você pode ou não acreditar em alguma coisa para ter fé nesse futuro – sua garra, destino, vida, karma, deus ou o que quer que seja. Eu resolvi apenas acreditar e correr o risco. E sou entendi isso quando Steve Jobs explicou isso no genial discurso proferido em Stanford e que transcrevo alguns trechos.
Essa escolha é tão importante porque o trabalho vai preencher uma parte grande da vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que realmente acredita-se ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que se faz.
A natureza possui mecanismos peculiares para tornar a vida algo precioso, ela faz isso da forma mais antagônica possível. O fim é muito provavelmente a principal invenção da vida. Nas palavras do bravo Aquiles, “os deuses nos invejam por sermos mortais”. É o agente de mudança da vida. Ele limpa o velho para abrir caminho para o novo.
Não é fácil prever o futuro. Afinal de contas, as mudanças recentes desta virada de milênio acumularam um conjunto tão grande de novas tecnologias a ponto que hoje dá para olhar para alguém de 25 anos com a mesma admiração com que antigamente se olhava para pessoas centenárias e pensar “nossa, você deve ter visto tanta coisa na vida…”, com a diferença de ¾ da idade. Nas viagens por congressos tive a oportunidade de assistir o presidente Lula dizer exatamente isto em seu discurso: “É a primeira vez na história do mundo que os netos são mais sabidos que os avós“. Isso mostra que mesmo ainda não conseguindo viajar a velocidade da luz fisicamente, parece que estamos a velocidade da luz na Estrada do conhecimento, porque o tempo lá fora, graças a tecnologia, desacelerou para que adquiríssemos mais rapidamente tantas experiências.
Nesse momento, o novo somo nós. Mas algum dia, não muito distante, gradualmente envelheceremos e chegará o nosso fim. E como este dia não está tão distante assim não fiquemos presos pelos dogmas, que é equivalente a viver com os resultados da vida de outras pessoas.
Vivemos num mundo de possibilidades. E são tantas as possibilidades que mesmo alguém genial como Albert Enstein, pode ser visto como burocrata, quando ao fim da vida recusou-se a acreditar nas possibilidades e negar a física quântica, que é a física das possibilidades, a ponto de passar o resto de seus dias tentando provar que ela estava errada. A engenharia vê tudo em termos de como essas coisas podem ser melhoradas, ou em como podem ser transformadas. Fazendo uso da grande capacidade de analisar problemas complexos e de identificar padrões que se repetem, criando explicações lógicas para eles.
Buscamos a clareza em tudo, e nos voltamos para a construção de conhecimento. Valorizamos muito a inteligência e a habilidade de aplicar lógica a teorias para encontrar soluções para os mais diversos problemas. A inclinação natural a transformar teorias em compreensão concreta pode se tornar um sentimento de responsabilidade pessoal de resolver problemas teóricos e de ajudar a sociedade a se mover em direção a um nível mais elevado de conhecimento e de auto-compreensão.
Conhecimento acima de tudo. Nossa mente está constantemente trabalhando direcionada a gerar novas teorias ou a comprovar ou a derrubar teorias existentes. Abordamos problemas e teorias ao mesmo tempo com entusiasmo e ceticismo, ignorando as regras e opiniões existentes, e definindo nossa própria abordagem para a solução. E essa busca por padrões e por explicações lógicas serve para qualquer coisa que te interesse.
Odiamos trabalhos rotineiros e preferimos muito mais construir novas soluções teóricas complexas. Somos pessoas independentes, originais, e nada convencionais. Fortemente engenhosos, possuímos padrões de pensamento que nos permitem analisar idéias através de novas maneiras. Conseqüentemente, diversas mudanças relacionadas ao pensamento científico mundial foram feitas por pessoas como nos.
Quando se encontra no seu meio ideal quando pode trabalhar com suas teorias de maneira independente e num ambiente que ofereça apoio ao seu gênio criativo. Se esse for o caso, poderemos alcançar feitos memoráveis.
E o desafio é maior para os mestres que tentam formar pessoas com tais características. Preparando Estudantes para empregos que ainda não foram inventados, utilizando tecnologias ainda não foram concebidas e tudo para isso pra resolver problemas que ainda não são problemas.
Traduzindo em números, o melhor que engenheiros fazem, de uma turma inicial com 90 alunos, temos hoje, contando comigo, 8 formandos da turma original e os demais foram juntando-se a nossa turma no decorrer dos anos seguintes, fazendo esse momento de hoje tão incrível.
O Desafio das universidades, pedagogos e professores é enorme, sabe-se que a cada 2 anos o poder da tecnologia dobra, em nossa, era a era do crescimento exponencial,o que quer dizer, que já no terceiro ano do nosso curso já estávamos 1,5 ano desatualizados, isso considerando apenas informações provenientes da universidade. São publicados 3000 livros diariamente. Empresas de videogame investem o dobro que os EUA investem na educação, em pesquisa e desenvolvimento. E essa overdose de informação é tão grande que segundo dados da editora O’Reilly, uma edição de fim de semana do New York Times contém mais informação que um pessoa do século 18 tinha acesso durante toda sua vida. E as pessoas perguntam, porque disso ? Estima-se que em 2013 teremos um supercomputador com a mesma capacidade de processamento que o cérebro humano, que em 2023 este mesmo computador custará apenas 1000 dólares e que em 2049 teremos um supercomputador com capacidade de processamento superior ao de toda a raça humana. E realmente senhores, aqui é pertinente um comentário, antes o belo era ser poeta, músico ou artista plástico. Os matemáticos, engenheiros e técnicos em geral eram apenas “Frios e calculistas”, e quando vocês sentiram esse frio na espinha da comparação que fiz entre capacidade computacional superior a de toda a raça humana, estamos apenas comprovando que despertamos tanta emoção como artistas, porque chegamos em um estágio de sinergia tal, que para executar certas tarefas precisamos nos tornar verdadeiros artistas. E para os iniciados nesse universo, ver um código bem projetado é como ler poesia, ver um circuito funcional otimizado ao máximo é como uma obra de arte e ter idéia do quão longe chegamos na escala do conhecimento é sentir emoção que somente artes provocam. Por isso chamo sinergia.
Vivemos na era mais documentada de toda a história da raça humana, e se caso um dia alguém encontre este modesto discurso, e caso queiram referir-se a nossa história, que digam que fomos ensinados por grandes mestres e vivemos em seu tempo, Oscar (o homem do controle e da inteligência, carinhosamente conhecido por pontinho, pontinho, pontinho), Marcelo Mariano (o homem dos robôs que olham de lado), Alax (a estatística, cálculo e compiladores, e tantos outros milhões de coisas, conhecido como homem infinito – procurem saber das velas do bolo dele) e tantos outros. E senhores digam, convivemos com Glaucus Brelaz (que referenciamos como o professor que poderia abrir uma universidade, com apenas ele mesmo dando aula).
PS: Os chatos que corrijam o português…