Archive for January, 2010

23rd Jan 2010

PSL-RN iniciou suas atividades em 2010 com evento que teve a participação de Daniel Rocha, potiguar que exerce a função de Engenheiro de Software no Google.

por Moisés Souto, (moises.souto AT gmail.com) e Adorilson Bezerra (adorilson AT rn.softwarelivre.org)

No último dia 15 de janeiro, no Auditório do IFRN Campus Natal-Central, aconteceu o Dia Livre 10.01, marcando o início das atividades do Projeto Software Livre – Rio Grande do Norte (PSL-RN) em 2010. Durante a abertura do evento o coordenador do PSL-RN, Gustavo Ribeiro, informou da satisfação em ver os cerca de 200 participantes reunidos em prol do fortalecimento do conhecimento em plena noite de um sexta-feira. Disse se tratar de uma grande vitória para a cidade de Natal e que eventos como esse proporcionam verdadeiras revoluções na forma de pensar e construir o conhecimento. Ademais, informou que este primeiro Dia Livre é apenas uma prévia do que o PSL-RN reservou para o restante do ano. Informou que em 2010 o Projeto pretende promover diversas ações para popularizar o uso do Software Livre no RN, “Pretendemos fazer eventos distribuídos, durante todos os meses do ano, conhecidos como Dia Livre, para fortalecer a comunidade do Estado. Mas também estamos planejando um grande evento, a nível de Nordeste, que trará bastante visibilidade aos desenvolvedores, administradores, empresas e todos os envolvidos e apoiadores do uso de Software Livre no estado”.

Dentre os eventos promovidos pelo PSL-RN no Estado, o Encontro Potiguar de Software Livre (EPSL) já virou tradição, este ano acontecerá a 4a edição que contará com um atrativo a mais. Ele foi escolhido pela comunidade de software livre do Nordeste para receber seu encontro anual, o Encontro Nordestino de Software Livre (ENSL), que já passou por João Pessoa/PB, Aracaju/SE e Salvador/BA, sendo este a 4ª edição.

foto Fonte: Pedro Baesse

DanielNesta primeira atividade do ano de 2010, tivemos a participação especial de Daniel Rocha, Engenheiro de Software do Google de Nova York, na área de Search Quality, com a palestra: Googler, vida e trabalho no Google. Daniel é natural de Natal, tendo concluindo Curso Técnico em Informática no Cefet-RN (atual IFRN), graduação em Ciência da Computação na UFRN e Mestrado na PUC-RJ, desde 2007 trabalha como Engenheiro de Software no Google.

A palestra abordou temas como o processo de seleção e entrada no Google, o dia a dia de trabalho, a utilização de software livre e um pouco sobre projetos da empresa de incentivo ao desenvolvimento de software, como o Google Summer of Code e o Google Code Jam, e como estudantes e profissionais podem se envolver nos projetos existentes.

foto Fonte: Pedro Baesse

O engenheiro afirmou que sua entrada no Google foi influenciada por sua intensa participação em maratonas de programação, eventos onde alunos de graduação podem testar suas habilidades na resolução dos mais diversos problemas computacionais, especialmente na área de algoritmos e programação. Enfatizou a questão acadêmica, que segundo ele é muitas vezes colocada de lado por alunos por prematuramente acreditarem não precisar de um ou outro conhecimento. Segundo Daniel, o mais importante para pensar em concorrer a uma vaga no Google é priorizar os estudos acima de qualquer coisa. Para o Google o histórico acadêmico na universidade conta bastante, títulos e projetos acadêmicos e também é um grande diferencial a participação dos candidatos em projetos de softwares livres e de código aberto. A forma como a entrevista é conduzida para os candidatos é única e diferente a cada nova entrevista.

foto Fonte: Pedro Baesse

Questionado sobre quais as áreas de maior interesse do Google, Daniel respondeu que absolutamente não existe algo que ele apontaria como a área certa para se estudar, disse:  “Infelizmente não há uma receita do que o Google precisa ou não para selecionar alguém, apenas que estudem muito e sejam o melhor que puderem em suas respectivas áreas. O Google quer os melhores em qualquer áreas…”.

Falando sobre Software Livre, Daniel mostrou alguns casos de desenvolvedores de projetos de Software Livre que foram contratados pelo Google. Um dos casos citados foi o programador Guido van Rossum, desenvolvedor da linguagem de programação Python, contratado para continuar o desenvolvimento e aperfeiçoamento da linguagem, que é livre e gratuita, e está disponível a qualquer programador ou empresa. Daniel afirmou que o Google usa exaustivamente Software Livre e que sempre ao encontrar um novo bug e o solucionar, disponibiliza a correção para a comunidade, dessa forma contribuindo para o engrandecimento e melhorias no desenvolvimento dos softwares.

Sobre o ambiente de trabalho informou que além do que todos já conhecem de o Google ser um ótimo local para trabalhar e aprender, algumas pessoas o conhecem apenas pelos diversos artigos mostrando como é divertido trabalhar no Google, para estes Daniel deixa um recado: “O Google é uma empresa, diferente da maioria das outras empresas de tecnologia, mas ainda é uma empresa, onde todos tem responsabilidades, projetos e prazos. Não é só diversão”. Daniel refere-se ao fato de o Google ser bastante conhecido mundo a fora por disponibilizar a seus colaboradores diversas formas de relaxar e se divertir durante as atividades diárias. De vídeo games a restaurantes com os mais variados tipos de comida. Daniel diz: “O Google não é só diversão, temos trabalho e muito”. Dentre os aspectos comentados também está o sistema de trabalho da empresa conhecido como 70, 20, 10, onde os funcionários tem 70% do tempo destinado a projetos específicos da empresa, 20% destinados para desenvolver projetos pessoais ou já existentes de interesse do funcionário e 10% para utilizar da infraestrutura de entretenimento do local. Segundo Daniel, esse modelo de trabalho gera diversos sucessos, referindo-se o caso do Orkut, que foi desenvolvido durante os 20% de um dos funcionários e virou sucesso mundial. Daniel ainda ressaltou o seu encantamento com a empresa, afirmando que o Google é um lugar fascinante.

Ao fim os participantes tiveram um bom tempo para matar a curiosidade e tirar dúvidas com quem trabalha em uma das maiores e mais influentes empresas do mundo.

Sobre o PSL-RN


O PSL-RN é uma extensão do Projeto Software Livre Brasil, que possui por objetivo principal a promoção do uso e desenvolvimento de Softwares Livres como uma alternativa de liberdade de expressão, econômica e tecnológica.

No Rio Grande do Norte pretendemos formar multiplicadores desses ideais e incentivar o uso do Software Livre em todos os níveis, desde um usuário doméstico a todos os tipos de instituições, órgãos públicos e empresas. Além disso, unir e divulgar os estudantes e profissionais que utilizam e desenvolvem trabalhos com essas tecnologias.

O PSL-RN acredita que o Software Livre é um caminho para criação de projetos sociais, como projetos de inclusão digital e melhoria da educação pública, projetos de empreendedorismo, aumento na empregabilidade do setor de TI, proporcionando um crescimento econômico do estado, dentre muitos outros benefícios que um esforço conjunto pode gerar. Mais informações estão disponíveis em http://rn.softwarelivre.org

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14th Jan 2010

Palestra: Googler, vida e trabalho no Google NYC

Pessoal,
Dia 15/01/2010, Sexta-Feira agora, as 19h no Auditório do IFRN Campos Central(na Av. Salgado Filho em Natal), haverá o Dia Livre 10.1, para marcar o início das atividades do PSL-RN em 2010. Para a primeira atividade do ano, teremos o Daniel Amaral de Medeiros Rocha, Engenheiro de Software do Google de Nova York, na área de Search Quality, falando não só sobre o Google em si, mas também sobre seu trabalho na empresa, a utilização de softwares livres e abertos no ambiente de trabalho e um pouco sobre os projetos de incentivo ao desenvolvimento de software do Google como o Google Summer of Code e o Google Code Jam. Haverá bastante espaço para participação do público então será uma ótima oportunidade para matar a curiosidade e tirar dúvidas com quem trabalha em uma das maiores e mais influentes empresas do mundo.
Repassem se puder para ajudar na divulgação, já que está bem em cima:
Título: “Googler, vida e trabalho no Google NYC”
Palestrante: Daniel Amaral de Medeiros Rocha
A palestra abordará brevemente o processo de seleção e entrada no Google, falará sobre o cotidiano de trabalho e os projetos que são desenvolvidos. Abordará também algumas tecnologias open source utilizadas na empresa e como estudantes podem se envolver em projetos existentes. A intenção é uma palestra com um leve conteúdo técnico e com bastante tempo para perguntas ao final.
Quem sou eu:
Nasci e morei minha vida quase toda em Natal. Fiz curso técnico em Informática no CEFET, Ciências da Computação na UFRN e Mestrado na PUC do RJ. Desde 2007 trabalho como engenheiro de software no Google em Nova York, na área de Search Quality (ou seja, a busca web).
Duração: de 20 a 30 minutos, com bastante tempo para perguntas e discussões ao final.
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08th Jan 2010

A trágica história do 2=1

A primeira coisa que todo professor faz quando um aluno cursa a disciplina de Cálculo 1 ou mesmo antes da faculdade, quando você é um daqueles 2-3 da sala que ficam discutindo com o professor de matemática, enquanto todos os outros alunos correm para o praticar algum esporte no intervalo do colegial.
Nos dois casos, o maior rito de passagem dos estudantes de engenheira, física, matemática, direito (óbvio que não, eles processariam o professor alegando negligência no ensino, sem mesmo entender a piada ) e outros nerd é quando o professor demonstra que 2=1. É mais um rito de passagem, tal qual todo jovem brasileiro que gosta de rock aprender a letra completa de Faroeste Caboclo, bem menos popular, mais ainda sim um rito.
Por que isso agora ?  Bom, como me formei, dediquei a última semana um tempo para organizar os cadernos da graduação, para evitar misturar com as coisas do mestrado e me colocar na situação em que fiquei quando terminei o ensino médio e fui para a faculdade. As vezes queria retomar algo dos cadernos do colégio e simplesmente não os encontrava.
O fato é que no caderno do primeiro semestre  encontrei logo na folha da primeira aula tal discussão sobre como mostrar que 2=1 e mostrar o porquê de estar errado. Lembrei-me também do professor Oscar, uma vez na disciplina de Controle II quando eu tentei demostrar a identidade de Euler e fiz de maneira errada, ele parou, olhou e espantado disse enfaticamente: “Heresia”.

Sempre que vejo algum aluno dizendo que é verdade, que consegue provar que 2=1, faço como Oscar, penso ou digo:”Heresia”.
Existe 1 milhão de maneiras diferentes de propagar tal heresia matemática. A mais comum é a segunte:

Queremos demostrar que 2=1, portanto, representaremos os valores númericos por a e b, variáveis distintas já que são valores diferentes.
Como tentamos provar que a=b, temos:
a = b = 1,
logo a = 1 e b = 1
Portanto,
a = b
Se multiplicarmos os lados por 1, temos:
a x a = b x a
Como a x a = a² = 1
Assim como, a x b (ou b x a, que é a mesma história) = 1, substituindo
a² = ab
Em seguida, podemos subtrair b² do 2 lados
a²-b² = ab-b²
Fatorando pela diferença de quadrados ou separando pelos fatores comuns, temos:
(a+b)(a-b) = b(a-b)
Como temos (a-b) dos 2 lados, podemos eliminá-los:
(a+b) = b
Portanto, temos que:
a+b = b
Substituindo com valores númericos
1+1 = 1
2 = 1
Quando olhamos para a expressão com variáveis o cálculo faz sentido, mas se olharmos numericamente parece um pouco estranho por afirmarmos coisas como 2=1, porém, como o objetivo seria provar de fato isso, aceitamos numericamente.
Bom, onde então está o erro ? Simples, bem simples!
Se a=1 e b=1, a-b=0, portanto a simplificação não pode ser feita, pois divisão por 0 é uma indeterminação.
Portanto a linha:
Fatorando pela diferença de quadrados ou separando pelos fatores comuns, temos:
(a+b)(a-b) = b(a-b)
Está incorreta, porque numericamente o que temos é:
(0)/(0)

Concluimos que o cálculo está incorreto, que podemos voltar a viver normalmente por que a matrix em que vivemos não tentará executar uma divisão por 0 e não terá um buffer overflow e que na matemática a malandragem carioca não funciona tão bem.

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